Fibromialgia: Estudo mostra eficácia de maconha medicinal contra dores

Até pouco tempo a doença era tratada apenas com relaxantes musculares e antidepressivos, o que proporcionava alívio momentâneo e efeitos colaterais. A cannabis é uma nova opção de tratamento, que já vem mostrando resultados mais satisfatórios no controle da doença.

Sentir dores intensas e incapacitantes, mas sem causa aparente e, muitas vezes, também sem diagnóstico. Esse é o desafio constante de quem tem fibromialgia, dor crônica caracterizada por se disseminar por vários pontos do corpo, especialmente tendões e articulações, e provocar fadiga, distúrbios de sono e alterações de humor, dentre outros sintomas relacionados.

De causa desconhecida, estima-se que 2% a 4% da população geral tenha fibromialgia, sendo que são mais comuns os casos em mulheres de 30 a 50 anos.

Por ser silenciosa e não detectável em exames laboratoriais, muitas vezes a fibromialgia é vista como um transtorno apenas psicológico, já que comumente pacientes apresentam outros sintomas, como quadro ansioso depressivo, fadiga e diferentes tipos de insônia, rigidez articular, dores de cabeça, mãos inchadas, problemas de concentração e memória.

Wellington Briques, diretor médico de uma companhia canábica, destaca o controle da dor como um dos grandes desafios do tratamento da fibromialgia.

“Devido às dores crônicas, é muito comum que a fibromialgia leve a anormalidades no sistema nervoso, mudando a forma com que os pacientes lidam com o estresse. A fadiga constante também pode levar a isolamento das atividades rotineiras, ansiedade, falta de energia, sentimento de culpa e muitos outros sintomas que desencadeiam a depressão”.

O médico comenta que, até pouco tempo, a única opção disponível para tratamento paliativo da fibromialgia era o uso de relaxantes musculares, para os casos de dor aguda e por curtos espaços de tempo, e de antidepressivos – que, no longo prazo, causam efeitos colaterais importantes – além da recomendação de exercícios físicos diários e medidas para melhora do sono.

Até que os pesquisadores israelenses [liderado pelo médico Artul S. Habib G, da Unidade de Reumatologia do Hospital Laniado e da Faculdade de Medicina, Instituto de Tecnologia Technion-Israel, em Haifa] associaram o uso medicinal da cannabis à redução das dores da fibromialgia. A análise foi realizada em 2017, com dados levantados por dois centros médicos de Israel especializados no tratamento da doença.

A pesquisa clínica contou com 26 pacientes, com idade média de 37 anos, diagnosticados com fibromialgia há pelo menos dois anos. Do total, 73% eram mulheres. Os indivíduos responderam questionários sobre a doença antes e depois do tratamento com cannabis medicinal, que durou por volta de 11 meses.

Ao final do tratamento, 100% dos pacientes relataram melhora nos sintomas da fibromialgia em todos os quesitos que constavam no questionário, principalmente no que se referia à dor. Pelo menos 50% dos participantes reportaram ter parado de tomar a medicação tradicional após o consumo da cannabis.

Segundo Briques, a ideia de utilizar os canabinoides como fármacos no tratamento da fibromialgia é devido ao seu envolvimento na regulação do processamento da dor e do estresse crônico.

“Temos observado que doses diárias de canabinoides podem reduzir significativamente os níveis de dor, depressão e ansiedade em pacientes com fibromialgia, proporcionando a eles melhora significativa na qualidade de vida como não se via com o uso dos outros medicamentos”.

O médico reforça, ainda, que os benefícios dos canabinoides para o controle da dor têm sido estudados não só nos casos de fibromialgia, mas de dor crônica em geral. Segundo um levantamento recente do Ministério da Saúde, a prevalência de dor crônica variou de 29% a 73% em diferentes estados brasileiros, tendo afetado mais mulheres que homens e sendo a região dorsal/lombar o alvo das queixas mais frequentes.

“Esses índices são alarmantes, pois sabemos que a incidência de dor crônica está diretamente relacionada a outros vários problemas de saúde. É preciso buscar novas tratamento, com mais benefícios e menos efeitos colaterais, e os canabinoides têm se mostrado uma boa opção para a maioria dos casos”, completa o médico.

Fonte: National Center for Biotechnology Information, U.S. National Library of Medicine e Folha de Vitória

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