Estudo: A influência do sistema endocanabinoide na fisiopatologia da esclerose múltipla

A esclerose múltipla (EM) é uma doença neurodegenerativa, crônica, inflamatória e desmielinizante. Afeta em torno de 2,5 milhões de pessoas no mundo todo e em sua maioria, são adultos jovens de 20 a 40 anos.

Na Europa e nos Estados Unidos a incidência de EM está em torno de 60-200 casos a cada 100.000 habitantes (média do Brasil). Os indivíduos afetados por essa doença tem um grande prejuízo na sua qualidade de vida, uma vez que a EM é uma patologia incapacitante e afeta o indivíduo na parte mais produtiva de sua vida.

Alguns dos sintomas da EM são: diminuição da força dos membros, disfunção cognitiva, alteração na coordenação motora, perda aguda de visão, entre outros sintomas menos comum.

Tratamento da Esclerose Múltipla com Endocanabinoides

A Cannabis sativa é uma droga de abuso amplamente utilizada no mundo, em função de seus efeitos de sedação e sentimento de bem estar. Sua utilização acorre há séculos, inclusive na medicina, devido aos seus efeitos
analgésicos, antieméticos e tranquilizantes.

No século passado foi descoberto o 9-tetraidrocanabinol (9-THC), a primeira substância isolada da Cannabis. Atualmente, sabe-se que a Cannabis é constituída de inúmeros fitocanabinóides, como o canabinol (CBN), canabidiol (CBD) e o canabicromeno (CBC).

Em função de sua elevada lipossolubilidade, até a década de 1980, acreditava-se que os efeitos do 9-THC ocorriam em função de sua capacidade de atravessar com facilidade as membranas celulares, exercendo seus efeitos em receptores específicos ou alterando as características físico-químicas das membranas celulares.

Em 1988, foi descoberto o primeiro receptor canabinóide, despertando interesse como possíveis alvos terapêuticos. Esse receptor, denominado CB1, encontra-se em todo o corpo, porém é encontrado em maiores concentrações no SNC, em regiões como córtex frontal, hipocampo, sistema límbico, amídala, áreas de sistema motor, gânglios basais e várias regiões do cérebro.

Em 1990, foi identificado o segundo receptor canabinóide, denominado de CB2 e que está presente principalmente nos leucócitos, nos linfócitos B, células Natural Killer (NK), monócitos, neutrófilos, linfócitos T CD8 e T CD415-16.

Atualmente, há medicamentos a base de canabinóides disponíveis comercialmente, principalmente nos EUA e Europa. A EM é uma doença debilitante e que afeta milhões de pessoas no mundo todo. São afetados indivíduos na parte mais produtiva de suas vidas, causando impacto em sua vida e da sua família.

O tratamento atualmente disponível para essa doença é de elevado custo, complexo e muitas vezes não apresenta melhora na qualidade de vida desses indivíduos.

Níveis de endocanabinóides no sangue de pacientes com EM estão alterados, assim como todo o maquinário enzimático do SE, podendo ser uma resposta anti-in-flamatória e até mesmo uma forma de proteção do SNC contra a agressão do sistema imunológico. O SE influencia na fisiopatologia da EM de forma positiva e o uso de fitocanabinoides traz benefícios aos pacientes, como é o caso da associação do 9-THC com CBD.

Diversos estudos em modelos experimentais de EM demonstraram que o uso de agonistas trouxe benefícios aos animais, impedindo a migração de células do sistema imunológico ao SNC, inibindo ativação da microglia ou até mesmo atuando indiretamente em outros sistemas.

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